A cirurgia bariátrica é hoje o tratamento mais eficaz para obesidade grave, mas o resultado no corpo não acompanha automaticamente o resultado emocional. É por isso que o acompanhamento psicológico não é um complemento opcional — é parte estruturada do protocolo desde que a cirurgia passou a ser regulamentada no Brasil.
Uma exigência desde 2005, não uma opção
A resolução do CFM de 2005 e o Consenso Multissocietário em Cirurgia Bariátrica de 2006 instituíram a presença obrigatória da equipe multidisciplinar junto ao cirurgião. Em 2014, o Protocolo de Psicologia foi aprovado no Congresso Brasileiro de Cirurgia Bariátrica, e desde 2010 a cirurgia integra o Rol de Procedimentos da ANS — o que torna a cobertura do acompanhamento nutricional e psicológico pós-operatório obrigatória para planos de saúde com segmentação hospitalar.
O que a avaliação pré-operatória investiga
A avaliação psicológica antes da cirurgia serve para identificar transtornos mentais preexistentes que podem comprometer o sucesso do procedimento, além de preparar a pessoa para as transformações que virão. Não se trata de um obstáculo burocrático: processos judiciais já foram movidos contra cirurgiões que operaram pacientes sem essa avaliação adequada, justamente porque ela protege o resultado do tratamento.
Por que o pós-operatório costuma ser mais difícil
Uma parcela significativa dos pacientes apresenta agravamento ou surgimento de sintomas como depressão, ansiedade e compulsão alimentar depois da cirurgia. Em entrevistas com pacientes bariátricos, muitos relatam sentir falta de um acompanhamento pós-operatório mais frequente — inclusive alguns que se arrependeram do procedimento por não terem tido suporte psicológico suficiente para lidar com a nova rotina.
- O corpo muda rápido, mas os hábitos e a relação com a comida levam mais tempo para se ajustar.
- A ausência de acompanhamento contínuo está associada a piores desfechos emocionais no pós-operatório.
- A terapia cognitivo-comportamental tem se mostrado eficaz como tratamento coadjuvante nesse processo.
A nova imagem corporal e a autoestima
A perda de peso acentuada traz mudanças físicas importantes, incluindo excesso de pele, que impactam diretamente a autoestima e a forma como a pessoa se relaciona com o próprio corpo. Reconstruir a autoimagem depois de uma transformação corporal tão grande é um processo emocional, não só estético.
O que os pacientes relatam
Pacientes que passaram por acompanhamento pré e pós-operatório relatam que o processo, embora exigente, foi positivo e ajudou na adaptação alimentar e emocional. O consenso entre quem já passou pela cirurgia é claro: quanto mais cedo e mais contínuo o suporte psicológico, mais fácil é sustentar os resultados no longo prazo.
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